O blog não será unicamente para relatar experiências vividas mas também ideias e pensamentos (meus e vossos).
Recordo que o objetivo do mesmo não é expor a nossa (minha) família, daí a reserva que tenho procurado ter, tanto quanto possível, em relação à minha identidade e à da Rainha. Q.b. (obrigada a todos os que já perceberam quem somos e têm procurado manter o nosso cuidado).
O grande objetivo é a criação de um espaço de partilha e de reflexão em torno do cabelo africano natural e do respeito pela identidade de cada um, mas sobretudo das crianças. Todos nós somos portadores de uma história, de um identidade, trazemos raízes connosco e algumas são visíveis nos cabelos e na pele (raízes ADN), outras nos modos de ser e de pensar (raízes familiares, socioculturais, etc...)
Se temos esta ou aquela características devemos aprender pelo menos a respeita-la. Mas ninguém está satisfeito com o que têm, não é verdade?!
O peso dos media e não só, mas sobretudo da TV, do cinema, da música e do que está à volta da mesma sobre as crianças e os jovens é sobejamente conhecido por todos nós. Verificamos que cada vez mais novos, rendem-se às modas ditadas por desenhos animados, estrelas de TV, Hollywood's e MTV's (algumas estrelas (de)cadentes), por redes sociais e por mais qualquer indústria que ali encontra facilmente um publico consumidor pouco ou nada crítico.
Estão a pensar nos filhos?! Não... estava a falar dos pais!!!!
Os pais que compram tod@s @s bonec@s, brinquedos e acessórios (mochilas, estojos, lençóis, toalhas de banho, roupa, .......................................................) dessas "estrelas" e que não têm um pensamento crítico sobre o peso que as mesmas têm na auto-imagem dos seus filhos, na sua auto-aceitação.
Durante décadas, a Disney só tinha princesas de cabelos compridos e lisos, pele clara e corpo esguio. Quantas de nós não nos identificamos mas adorávamos poder ser como elas. Como a Barbie: quase sempre loira e com cabelos mais uma vez longos e lisinhos. Como as pinipons (não havia nenhuma com caracóis pois não?!).
Com o passar do tempo, e já depois das nossas infâncias quase de certeza, começámos a ver que a Disney, por exemplo, tem procurado mudar o seu "paradigma nas princesas". Talvez porque alguns daqueles pais-consumidores levantaram as suas vozes e deram força aos dedos para fazer correr tinta ou teclas. (Sabiam que os pais têm super-poderes??? Recentemente um grupo de pais fez teclas correrem no mundo cibernautico e conseguiu, ao que parece, que a Disney pense em incluir a Língua Gestual nos seus desenhos animados).
Se antes tínhamos por modelos a Cinderela, a Aurora, a Branca de Neve (sabiam que a minha Rainha quis ir de Branca de Neve num Carnaval- uma Branca Afro!), a Bela (do Monstro), a Ariel... com a Jasmine e a Pocahontas (princesas de tez mais escura) abriu-se caminhos para a Tiana, do filme A Princesa e o Sapo, uma princesa afroamericana. Confesso que gostaria que essa princesa fosse ainda mais afro, mas o filme caracteriza uma época onde ser afroamericano não era propriamente bom. Porém não esquecer que a Tiana é a primeira princesa africana da Disney. Depois dela chegou a Rapunzel, do Entrelaçados, que veio quebrar com o paradigma dos cabelos grandes e loiros! Termina o filme com o cabelo bem curto e cá entre nós bem mais prático e higiénico, que aquilo de andar com cabelo a arrastar pelo chão não é nada bom. Mas a princesa que eu mais adorei ver foi a Mérida, do filme Brave. Aquilo sim, é princesa que se digne! Muito pouco fadada a ser boa esposa, boa menina, bem comportada como
Se esquecer as princesas e a Disney e for para outras personagens animados a diversidade cultural/racial aumenta: a Doutora Brinquedos, a Tip do filme Home (aí sim: mega afro natural), o Manny Mãozinhas (latinoamericano e com orgulho nisso), etc etc etc
Ou seja, as grandes indústrias têm de acompanhar a globalização e a tendência (Graças a Deus) que cada vez mais há para respeitar a natureza, a cultura e a identidade de cada um!
Eu não proíbo a Rainha de ver a Violetta (bierc) mas reforço várias vezes que o cabelo liso (que ela tanto gosta) não é o único bonito e que aquele estilo da Violetta... a própria vai cansar e querer mudar como aconteceu com a Hannah Montana.
Reforço "n" vezes que ao longo das nossas vidas vamos ter vários momentos em que adoramos ser quem somos e como somos, e outros em adorávamos ser totalmente diferentes. Isso é normal! Mudar é normal! Mudar é bom!
Só não é normal mudar tudo em mim para ser quem não sou. Querer ser como todos são (e pergunto-lhe sempre: "Quem são todos?"), quando ser igual, além de ser impossível, nem me torna especial! Ser diferente, que no fundo é que é o expectável, é ser ÚNICO!
A jeito de conclusão, ficou por falar muita coisa como por exemplo a importância destes episódios em criança na fase adulta e os papeis de género, cultura ou raciais ainda muito veiculados nos media.
Mas por agora já está - pausa para café!
Como diria alguém por aí... afrobeijos ;)


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